
A crise no preço do diesel escalou e resultou na confirmação de uma paralisação nacional de caminhoneiros, prevista para começar na próxima quinta-feira (19).
A decisão foi anunciada por lideranças da categoria, que apontam inviabilidade econômica da atividade diante dos custos atuais do combustível.
O movimento reacende o alerta para impactos no abastecimento, na logística e na economia, em um cenário que remete à paralisação nacional de 2018.
Liderança confirma paralisação e fala em “sobrevivência”
O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou que a mobilização já está em estágio avançado e não tem motivação política.
Já estamos bem avançados. Não é um movimento político, a favor de governo A ou B. A decisão é de sobrevivência. O caminhoneiro hoje trabalha de graça; o dinheiro não está pagando nem o custo operacional”, declarou.
Horas antes do anúncio do reajuste do diesel pela Petrobras, o governo federal havia divulgado medidas para tentar conter o impacto do combustível, como:
– suspensão de PIS/Cofins sobre o diesel
– criação de programa de subvenção
No entanto, segundo representantes da categoria, o aumento posterior neutralizou os efeitos das ações, mantendo a pressão sobre os custos do transporte.
Categoria aponta cenário semelhante ao de 2018
De acordo com Wallace Landim, a atual mobilização revive um cenário já enfrentado pela categoria há oito anos, durante a grande paralisação nacional.
“A gente tem demandas para proteger a categoria, como a planilha de custo mínimo e a isenção do caminhão vazio. É o mesmo peso, a mesma dor de 2018. É o mesmo filme”, afirmou.
Entre as principais reivindicações estão:
– criação de planilha de custo mínimo do frete
– isenção de cobrança para caminhão vazio
– previsibilidade no preço dos combustíveis
tensão internacional pressiona preço do combustível
O aumento no preço do diesel também está ligado ao cenário internacional. O conflito no Oriente Médio tem impactado diretamente o mercado global de petróleo, especialmente no Estreito de Ormuz — uma das principais rotas marítimas do mundo.
Cerca de 20% de todo o petróleo global passa pela região, o que torna qualquer instabilidade um fator relevante na formação dos preços internacionais.
Paralisação pode afetar abastecimento e economia
Com a adesão crescente da categoria, a paralisação pode gerar reflexos imediatos no abastecimento de combustíveis, alimentos e insumos em diversas regiões do país.
O avanço do movimento deve ser acompanhado de perto pelo governo federal, que tenta, nos bastidores, evitar a repetição de um cenário de desabastecimento como o registrado em 2018.
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