
Foto: Reprodução/Instagram Flávio Bolsonaro
Em meio ao aumento da tensão entre Brasil e Estados Unidos provocada pela ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o território norte-americano após ser derrotado no segundo turno das eleições presidenciais por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) defendem uma postura de cautela. A orientação do governo brasileiro é tratar o caso exclusivamente no âmbito judicial e evitar a politização do tema nas relações com Washington.
Flávio Bolsonaro desembarcou nos EUA na última quarta-feira (28), em descumprimento direto a uma medida cautelar emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem de retenção do passaporte e a proibição de deixar o país haviam sido impostas a pedido da Polícia Federal (PF), que alertou para o risco iminente de fuga do parlamentar, investigado em inquéritos sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Aceno de Trump e reação contida do Itamaraty
A entrada e permanência do senador e de sua família em solo americano foram viabilizadas após o Departamento de Estado dos EUA conceder os vistos necessários. O gesto do governo Donald Trump é visto como uma sinalização de apoio político à família do ex-presidente Jair Bolsonaro, que já conta com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro no país.
Apesar da sensibilidade política do episódio, diplomatas brasileiros ouvidos reservadamente afirmam que o Itamaraty não pretende intervir formalmente no assunto neste momento. A avaliação das fontes diplomáticas é de que a situação de Flávio Bolsonaro é de “alçada exclusiva do Poder Judiciário”, esfera na qual o Poder Executivo e a diplomacia não devem interferir, repetindo o protocolo aplicado a outros cidadãos brasileiros considerados foragidos pela Justiça.
Esse posicionamento alinha-se ao histórico recente envolvendo o próprio Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado, radicado nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado após abandonar seu mandato na Câmara, foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão por coação no curso do processo, acusado de articular a aplicação de sanções e tarifas econômicas por autoridades americanas contra o Brasil.
Com informações do Metrópoles


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