A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) inaugurou, na última quarta-feira (14), o primeiro banheiro sem gênero de sua história no campus Maracanã. O novo espaço está localizado no 10º andar do bloco C, no Pavilhão Reitor João Lyra Filho, e foi oficialmente entregue à comunidade acadêmica durante uma cerimônia institucional.

A iniciativa integra um conjunto de políticas voltadas à promoção da diversidade, do respeito e da convivência plural dentro da universidade, reforçando o discurso institucional de acolhimento às diferentes identidades e expressões de gênero.

O projeto foi idealizado e conduzido pela Superintendência de Equidade Étnico-Racial e de Gênero da UERJ, órgão responsável por articular ações afirmativas e políticas de inclusão no ambiente universitário.

Segundo a universidade, o banheiro sem gênero busca garantir dignidade, segurança e conforto a pessoas que não se reconhecem nas categorias tradicionais de gênero ou que se sentem constrangidas em espaços convencionais.

– Ampliar o acolhimento institucional a pessoas trans, não binárias e de gênero diverso
– Reduzir situações de constrangimento e exclusão no cotidiano acadêmico
– Fortalecer políticas de reconhecimento e respeito à diversidade
– Promover um ambiente universitário mais seguro e inclusivo

Projeto também valoriza estética e linguagem visualAlém da proposta simbólica e social, o novo banheiro recebeu atenção especial no aspecto estético. A professora Grassine de Oliveira foi responsável pela concepção artística aplicada ao espaço.

A intervenção visual foi pensada para dialogar com os valores do projeto, utilizando cores, formas e elementos gráficos que remetem à diversidade, ao respeito e à pluralidade de identidades.De acordo com a UERJ, a arte não cumpre apenas um papel decorativo, mas funciona como uma extensão pedagógica da iniciativa, reforçando visualmente a mensagem de inclusão defendida pela universidade.

Banheiros sem gênero são espaços projetados para serem utilizados por qualquer pessoa, independentemente de identidade ou expressão de gênero. Eles vêm sendo adotados em universidades, centros culturais e instituições públicas em diversos países como parte de políticas de inclusão.

Características comuns desse tipo de ambiente incluem:

– Uso individual das cabines
– Sinalização neutra, sem referência a gênero
– Acesso universal para diferentes públicos
– Ênfase na privacidade e no respeito

No caso da UERJ, o espaço segue normas de acessibilidade e foi integrado à estrutura já existente do prédio, sem prejuízo aos demais usuários.

Em nota institucional, a UERJ destacou que a inauguração do banheiro sem gênero não é uma ação isolada, mas parte de um conjunto mais amplo de iniciativas voltadas à promoção da diversidade no ambiente acadêmico.

– Políticas de equidade de gênero
– Reconhecimento das diferenças étnico-raciais
– Programas de convivência e respeito mútuo
– Ações educativas e institucionais de inclusão

A expectativa é que o projeto sirva como referência para novas adequações em outros espaços do campus, ampliando o alcance das políticas de diversidade na instituição.

A criação de banheiros sem gênero tem sido tema de debate em universidades brasileiras, especialmente no contexto da ampliação de políticas afirmativas e do reconhecimento de direitos da população LGBTQIA+.

No caso da UERJ, a iniciativa reforça o papel das instituições públicas de ensino como espaços de reflexão social, promoção de direitos e construção de cidadania, indo além da formação acadêmica tradicional.

BNews Natal